Yes, I was infatuated with you - I am still. I cut you out because I couldn’t stand being a passing fancy.
Sylvia Plath
terça-feira, 10 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
Morte ao Meio-Dia
Enzo Penna
No meus país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o sol consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente tem saúde e assistência cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meus paí não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa
E cai-nos sobre os ombros quer a arma quer a sisa
e o colégio do ódio é a patriótica organização
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e o povo em vão requer
curvado o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer.
Ruy Belo
Usual Happiness - Kroke
quinta-feira, 29 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
O espírito
Nada a fazer, amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Natália Correia, "Sonetos Românticos", in Poesia Completa
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Natália Correia, "Sonetos Românticos", in Poesia Completa
Lucien Levy-Dhurmer
domingo, 18 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
O Hospital e a Praia
E eu caminhei no hospital
Onde o branco é desolado e sujo
Onde o branco é a cor que fica onde não há cor
E onde a luz é cinza
E eu caminhei nas praias e nos campos
O azul do mar e o roxo da distância
Enrolei-os em redor do meu pescoço
Caminhei na praia quase livre como um deus
Não perguntei por ti à pedra meu Senhor
Nem me lembrei de ti bebendo o vento
O vento era vento e a pedra bastava
E isso inteiramente me bastava
E nos espaços da manhã marinha
Quase livre como um deus eu caminhava
E todo o dia vivi como uma cega
Porém no hospital eu vi o rosto
Que não é pinheiral nem é rochedo
E vi a luz como cinza na parede
E vi a dor absurda e desmedida
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética II
Onde o branco é desolado e sujo
Onde o branco é a cor que fica onde não há cor
E onde a luz é cinza
E eu caminhei nas praias e nos campos
O azul do mar e o roxo da distância
Enrolei-os em redor do meu pescoço
Caminhei na praia quase livre como um deus
Não perguntei por ti à pedra meu Senhor
Nem me lembrei de ti bebendo o vento
O vento era vento e a pedra bastava
E isso inteiramente me bastava
E nos espaços da manhã marinha
Quase livre como um deus eu caminhava
E todo o dia vivi como uma cega
Porém no hospital eu vi o rosto
Que não é pinheiral nem é rochedo
E vi a luz como cinza na parede
E vi a dor absurda e desmedida
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética II
![]() |
| Francesca Woodman |
segunda-feira, 5 de março de 2012
So many books so little time
One summer morning at sunrise a long time ago
I met a little girl with a book under her arm.
I asked her why she was out so early and
she answered that there were too many books and
far too little time. And there she was absolutely right.
Tove Jansson
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
os nossos tristes assuntos
tal como pedes eu trato
dos nossos tristes assuntos
já rasguei o teu retrato
e outro em que estávamos juntos.
e o anel que tu me deste
fui deitá-lo fora ao mar,
o vento soprava agreste
e não havia luar.
há-de ficar-te a lembrança
da nossa vida passada,
eu, perdida a esperança,
fico sem nada, sem nada.
fica tu com as mentiras
que te dizem estou bem
e outras mais que tu prefiras,
que as não digo a mais ninguém.
fico eu com as verdades
tão duras, sem exagero,
e angústias e ansiedades
e agonia e desespero,
fico eu com o vazio
da negra noite sem fim,
nem sei quem sou, tenho frio,
estou comigo e sem mim
não me conheço ao espelho:
serei eu? não serei eu?
já deixou de ser vermelho
um coração que bateu.
e assim eu me despedaço,
sem salvação nem socorro:
se não sou eu, me desgraço,
se sou eu, sinto que morro.
Vasco Graça Moura, in Poesia 2001-2005
dos nossos tristes assuntos
já rasguei o teu retrato
e outro em que estávamos juntos.
e o anel que tu me deste
fui deitá-lo fora ao mar,
o vento soprava agreste
e não havia luar.
há-de ficar-te a lembrança
da nossa vida passada,
eu, perdida a esperança,
fico sem nada, sem nada.
fica tu com as mentiras
que te dizem estou bem
e outras mais que tu prefiras,
que as não digo a mais ninguém.
fico eu com as verdades
tão duras, sem exagero,
e angústias e ansiedades
e agonia e desespero,
fico eu com o vazio
da negra noite sem fim,
nem sei quem sou, tenho frio,
estou comigo e sem mim
não me conheço ao espelho:
serei eu? não serei eu?
já deixou de ser vermelho
um coração que bateu.
e assim eu me despedaço,
sem salvação nem socorro:
se não sou eu, me desgraço,
se sou eu, sinto que morro.
Vasco Graça Moura, in Poesia 2001-2005
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
A jaula e as feras
Vivem centos de doidos nesse hospício
(Quem no diria, olhando cá de fora...?!)
E o portão dança já no velho quício,
Dança, e faz entrar mais a toda a hora...
Trazem todos um sonho, um crime, um vício,
E foram reis lá muito longe, outrora...
E em seus rostos de espanto ou de flagício
Não sei que ausência atroz a toda a hora...
Faz medo e angústia olhá-los bem nos olhos;
E, lá por trás de grades e ferrolhos,
Estoiram de ansiedade desmedida.
- Meu corpo, ó meu hospício de alienados!
Abre-te aos meus desejos enjaulados,
Deixa-os despedaçar a minha vida!
José Régio, Poemas de Deus e do Diabo
C.C. Baxter: The mirror… it’s broken.
Miss Kubelik: Yes, I know. I like it that way. Makes me look the way I feel.
The Apartment (1960), de Billy Wilder
(Quem no diria, olhando cá de fora...?!)
E o portão dança já no velho quício,
Dança, e faz entrar mais a toda a hora...
Trazem todos um sonho, um crime, um vício,
E foram reis lá muito longe, outrora...
E em seus rostos de espanto ou de flagício
Não sei que ausência atroz a toda a hora...
Faz medo e angústia olhá-los bem nos olhos;
E, lá por trás de grades e ferrolhos,
Estoiram de ansiedade desmedida.
- Meu corpo, ó meu hospício de alienados!
Abre-te aos meus desejos enjaulados,
Deixa-os despedaçar a minha vida!
José Régio, Poemas de Deus e do Diabo
C.C. Baxter: The mirror… it’s broken.
Miss Kubelik: Yes, I know. I like it that way. Makes me look the way I feel.
The Apartment (1960), de Billy Wilder
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Olho-te e não me vês...
Olho-te e não me vês. A primavera vigia
a floração das malvas e o girassol retribui
os favores da luz. Eu sento-me onde acho
que vai estar a tua sombra. E, como a dor
que persegue a ferida, vejo-te quando passas,
mas vejo-te melhor quando não passas. Tu
não me vês; caminhas na geometria vã de
uma linha sem pontos; às vezes parece que
alguma coisa te detém e viras-te - talvez
então me chames dentro de ti, talvez até
me olhes. Mas não me vês.
Maria do Rosário Pedreira
a floração das malvas e o girassol retribui
os favores da luz. Eu sento-me onde acho
que vai estar a tua sombra. E, como a dor
que persegue a ferida, vejo-te quando passas,
mas vejo-te melhor quando não passas. Tu
não me vês; caminhas na geometria vã de
uma linha sem pontos; às vezes parece que
alguma coisa te detém e viras-te - talvez
então me chames dentro de ti, talvez até
me olhes. Mas não me vês.
Maria do Rosário Pedreira
domingo, 12 de fevereiro de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
My Funny Valentine
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Under Ice
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Vida Tão Estranha
Antes sozinha toda a vida que ter um coração que mente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)










