sábado, 20 de janeiro de 2018

Last night I dreamt that somebody loved me

Às vezes entristece-me esta cama cheia de espaço
Isto de  não servir a ninguém
Penso: mas que medida tenho eu
Que nunca sou roupa para os outros

Diria que não é culpa minha
Sei que faço a vida como as outras pessoas
perdida no horizonte de um entardecer canalha
vindo para casa sorrindo aos vizinhos
com um saco de fruta na mão

Penso: todos veem que fui às compras
E que tenho o ar leve de quem parou no café
espalhando perfume
Dizendo o que está certo sobre este dia
Sendo a mulher exacta do que é ser mulher
servindo o balcão a todo o comprimento
E tudo pode mudar depois de uma bica
Talvez eu passe a servir a um corpo
e a cama se torne mais pequena
Como é bom saber que por aqui todos estão vivos
ignorando a minha dificuldade em escolher maçãs

Penso: não pode ser assim tão mau
entrego-me ao destino, há muito que não conto
contigo
serei como todos os outros
E olho a fruta que não como
Pernas nuas e mão no sexo

Cláudia R Sampaio

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Le Gai Savoir

J'ai lu
dans tes yeux
dans ta voix
dans la beauté de tes doigts
ce qui ne fait que murmurer
au fond de toi
J'ai lu
ton inquiétude
et ta confiance mêlée
J'ai lu
ce que tu ne dis pas
ce que tu ne te dis pas
ce que je ne savais pas
ce que tu me caches
ce que tu te caches
ce que tu n'a pas voulu
lire avec moi
J'ai lu entre les lignes
de notre émoi
Je voulais déchiffrer
le code
de tes secrets désirs
Je voulais résoudre
l'équation
de toutes tes déchirures
Je voulais percer
l'énigme de ta solitude
Mais tu as soufflé sur la lampe
et je me suis retrouvé
dans le noir…


Gérald Bloncourt


Le Gai Savoir (Jean-Luc Godard, 1969)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A man said to the universe

A man said to the universe:
"Sir, I exist!"
"However", replied the universe,
"The fact has not created in me
A sense of obligation".

Stephen Crane (1871-1900)

 

domingo, 7 de janeiro de 2018

Tu chiama una vita

Fatica d'amore, tristezza,
tu chiami una vita
che dentro, profonda, ha nomi
di cieli e giardini.
E fosse mia carne
che dono di male transforma.

Salvatore Quasimodo (1901-1968)


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