sábado, 15 de maio de 2010

Mentiras Verdadeiras

Pergunto a mim mesmo como há quem possa escrever a vida dos poetas se os próprios poetas o não conseguem fazer. Existem demasiados mistérios, demasiadas mentiras verdadeiras, demasiada confusão.

Que dizer das apaixonadas amizades que é preciso confundir com o amor e que são apesar disso outra coisa, dos limites do amor e da amizade, desta zona do coração no qual sentimentos desconhecidos participam, não podendo compreender os que vivem em série?

As datas cavalgam, os anos embrulham-se. A neve funde, os pés voam; e não restam sinais.


Jean Cocteau, Ópio, diário de uma desintoxicação



Francesco del Cossa, Alegoria de Abril (detalhe), 1470
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