sexta-feira, 22 de maio de 2020
sábado, 14 de março de 2020
sexta-feira, 13 de março de 2020
quarta-feira, 4 de março de 2020
Quando um sonho morre
2
a dizer outra vez
se não me ensinares eu não aprendo
a dizer outra vez que há uma última vez
mesmo para as últimas vezes
últimas vezes em que se implora
últimas vezes em que se ama
em que se sabe e não se sabe em que se finge
uma última vez mesmo para as últimas vezes em que se diz
se não me amares eu não serei amado
se eu não te amar eu não amarei
palavras rançosas a revolver outra vez no coração
amor amor amor pancada da velha batedeira
pilando o soro inalterável
das palavras
aterrorizado outra vez
de não amar
de amar e não seres tu
de ser amado e não ser por ti
de saber e não saber e fingir
e fingir
eu e todos os outros que te hão-de amar
se te amarem
3
a não ser que te amem
Samuel Beckett, As escadas não têm degraus 3, trad. Miguel Esteves Cardoso, Livros Cotovia,
março 1990
a dizer outra vez
se não me ensinares eu não aprendo
a dizer outra vez que há uma última vez
mesmo para as últimas vezes
últimas vezes em que se implora
últimas vezes em que se ama
em que se sabe e não se sabe em que se finge
uma última vez mesmo para as últimas vezes em que se diz
se não me amares eu não serei amado
se eu não te amar eu não amarei
palavras rançosas a revolver outra vez no coração
amor amor amor pancada da velha batedeira
pilando o soro inalterável
das palavras
aterrorizado outra vez
de não amar
de amar e não seres tu
de ser amado e não ser por ti
de saber e não saber e fingir
e fingir
eu e todos os outros que te hão-de amar
se te amarem
3
a não ser que te amem
Samuel Beckett, As escadas não têm degraus 3, trad. Miguel Esteves Cardoso, Livros Cotovia,
março 1990
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
domingo, 2 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
Eu preciso de silêncio
Eu preciso de silêncio
e solidão
e de um traje de linguagem bem ajustado.
Eu preciso de um segredo
e de uma sugestão de realidade muito firme.
A minha função agora
é tentar me libertar
das minhas próprias formulações.
É um luto viver.
Se não entendermos assim
nunca seremos felizes.
Kristina Lugn (trad. de Fernanda Sarmatz Åkesson)
e solidão
e de um traje de linguagem bem ajustado.
Eu preciso de um segredo
e de uma sugestão de realidade muito firme.
A minha função agora
é tentar me libertar
das minhas próprias formulações.
É um luto viver.
Se não entendermos assim
nunca seremos felizes.
Kristina Lugn (trad. de Fernanda Sarmatz Åkesson)
quarta-feira, 25 de dezembro de 2019
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
O menino louco
Ao menino louco da casa ao lado
tinham-no preso. À noite ouvíamo-lo
a uivar. E eu sussurrava à minha almofada:
Obrigado, meu Deus! Ao menos eu estou livre.
O menino louco já não grita.
No entanto o grito acorda-me
nas noites negras sem estrelas.
Então não é o menino. Sou eu.
Inger Hagerup, Fra hjertets krater, 1964
tinham-no preso. À noite ouvíamo-lo
a uivar. E eu sussurrava à minha almofada:
Obrigado, meu Deus! Ao menos eu estou livre.
O menino louco já não grita.
No entanto o grito acorda-me
nas noites negras sem estrelas.
Então não é o menino. Sou eu.
Inger Hagerup, Fra hjertets krater, 1964
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
Eu sou o poema
Sou o poema que ninguém escreveu
Sou a carta que sempre se queimou.
Sou o caminho que ninguém tomou
e o som que nunca soou.
Sou a oração dos lábios mudos
Sou o filho de uma mulher não nascida,
uma corda que nenhuma mão estendeu
uma fogueira que ninguém acendeu.
Acordai-me! Redimi-me! Levantai-me já
da terra e disponha, de espírito e corpo e alma!
Mas quando rezo, só respostas incompletas.
Eu sou as coisas que não ocorrem nunca.
Inger Hagerup, Jeg gikk meg vill i skogene, 1939
Sou a carta que sempre se queimou.
Sou o caminho que ninguém tomou
e o som que nunca soou.
Sou a oração dos lábios mudos
Sou o filho de uma mulher não nascida,
uma corda que nenhuma mão estendeu
uma fogueira que ninguém acendeu.
Acordai-me! Redimi-me! Levantai-me já
da terra e disponha, de espírito e corpo e alma!
Mas quando rezo, só respostas incompletas.
Eu sou as coisas que não ocorrem nunca.
Inger Hagerup, Jeg gikk meg vill i skogene, 1939
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
Detalhe de uma paisagem invisível de novembro
No meio do país de névoa que se chama eu
há um velho sinal de trânsito sem caminho.
Ali está assinalando com a sua carcomida flecha
até aos pântanos e quilómetros de neblina.
Em vão procuro nomes e sinais.
Nevões e chuvas tudo apagaram.
Ali esteve uma vez o caminho para que me encaminhava.
Quando desapareceu e quando me perdi?
Vou às cegas como um invisual até essa palavra
que me indicaria o caminho da minha casa.
No meio do país de névoa que se chama eu
há um sinal sem caminho que me assusta.
Inger Hagerup, Fra hjertets krater, 1964
há um velho sinal de trânsito sem caminho.
Ali está assinalando com a sua carcomida flecha
até aos pântanos e quilómetros de neblina.
Em vão procuro nomes e sinais.
Nevões e chuvas tudo apagaram.
Ali esteve uma vez o caminho para que me encaminhava.
Quando desapareceu e quando me perdi?
Vou às cegas como um invisual até essa palavra
que me indicaria o caminho da minha casa.
No meio do país de névoa que se chama eu
há um sinal sem caminho que me assusta.
Inger Hagerup, Fra hjertets krater, 1964
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Subscrever:
Mensagens (Atom)

