sexta-feira, 24 de junho de 2016
sábado, 7 de maio de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
sábado, 6 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Amar um ideal
24 de Março de 1969. “Dizem-me às vezes que sou inacessível à emoção — não é curioso? E que não gosto, sou incapaz de gostar, de ninguém. Imagine-se (…). Mas, se é assim, a explicação não será difícil. Quando a vida nos habitua a desprendermo-nos dela, a firmarmos o pé em nada, vive-se obviamente no provisório. E se o que mais amamos nos falha sempre ou disso nos ameaça, o recurso é amar-se como que um ‘ideal’ que nunca falha (…). Por mim e por sobre tudo, amo a vida, que é onde acontece o que há-de amar-se ou não. Mas o que põe em causa as relações individuais não é de prender muito. Por desencanto prévio, pois. E por prudência. Pelo que for. Assim, as surpresas não surpreendem. Ou quase.”
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
domingo, 10 de janeiro de 2016
O que poderias ver?
#A imaginação, a capacidade de produzir imagens mentais de coisas que não estão imediatamente à frente dos olhos, é uma capacidade humana invulgar que, infelizmente, muitas vezes é desvalorizada, e quase atacada, no processo educativo.
Aliás, as frases:
— está atento!, tens a cabeça na lua!, etc.
são expressões repressivas que mostram como a escola está constantemente a dizer: não imagines, vê! Como se aquilo que é mostrado fosse sempre mais importante e relevante do que aquilo que é imaginado.
Uma escola paralela, quase utópica também, seria aquela em que os professores por vezes diriam: hoje não estás suficientemente na lua!, ou: não estejas tão atento, colado, ao que te estou a mostrar!
Ou, dizendo de uma forma não tão extrema, mais realista: a escola deveria dar a ver, dar a conhecer, apenas aquilo que potencie a imaginação. Vou mostrar-te algo que te permitirá mais tarde imaginares muitas outras coisas. Imagens que alimentem a imaginação e não que a diminuam. Substituir definições por imaginações — este podia ser um lema; contestável, claro, mas que permitiria, talvez, uma discussão e uma deslocação do espaço mental do ensino.
Gonçalo M. Tavares (aqui)
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Esclarecimento
Quando estamos cansados
deitamos o corpo
e adormecemos
às vezes não
procuramos outra mão
outros olhos
que nos limpem a fadiga
e evitem o sono
que nos vem antigo
quando estamos cansados
podemos erguer o corpo
e acordar
e morrer acordados
sem cansaço
Mário-Henrique Leiria
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
domingo, 25 de outubro de 2015
À porta do Deutsche Bank
We all have credit,
Said the bankers.
A matter of faith.
Hans Magnus Enzenberge
À
porta do Deutsche Bank (ao lado de
Jean Valjean) um casal de namorados reúne-se
num abraço. Por instantes acreditam na
arte do recomeço
num país onde o ministro desista de
inaugurar as ruínas
dos seus sonhos. Longe nos rios da Europa
corre uma linfa comum
(como a fenda na parede hesitando ao avançar
corrigindo erro-a-erro o seu
próprio percurso). Enquanto os jovens se abraçam
o ágio passa-lhes ao lado -
suspendem-se os dias tristes neste país periférico
sem esperança nem remorsos onde
a Europa passa férias. À porta do Deutsche Bank
só tem crédito a ilusão
logo tudo acabará num depósito
de amor.
João Luís Barreto Guimarães, 'As ruas estão acesas' in "Mediterrâneo", livro de poemas inédito a lançar em janeiro pela Quetzal
Said the bankers.
A matter of faith.
Hans Magnus Enzenberge
À
porta do Deutsche Bank (ao lado de
Jean Valjean) um casal de namorados reúne-se
num abraço. Por instantes acreditam na
arte do recomeço
num país onde o ministro desista de
inaugurar as ruínas
dos seus sonhos. Longe nos rios da Europa
corre uma linfa comum
(como a fenda na parede hesitando ao avançar
corrigindo erro-a-erro o seu
próprio percurso). Enquanto os jovens se abraçam
o ágio passa-lhes ao lado -
suspendem-se os dias tristes neste país periférico
sem esperança nem remorsos onde
a Europa passa férias. À porta do Deutsche Bank
só tem crédito a ilusão
logo tudo acabará num depósito
de amor.
João Luís Barreto Guimarães, 'As ruas estão acesas' in "Mediterrâneo", livro de poemas inédito a lançar em janeiro pela Quetzal
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Ouvindo...
porque haveria de ter saudades tuas
ao longo de um claro rio de água doce
ao longo de um claro rio de água doce
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Ode à Paz
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
pelas aves que voam no olhar de uma criança,
pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
pelos aromas maduros de suaves outonos,
pela futura manhã dos grandes transparentes,
pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
Natália Correia, Inéditos
pelas aves que voam no olhar de uma criança,
pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
pelos aromas maduros de suaves outonos,
pela futura manhã dos grandes transparentes,
pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
Natália Correia, Inéditos
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