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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Os vencidos da vida... venceram

O futebol enquanto experiência religiosa

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Amar um ideal

24 de Março de 1969.Dizem-me às vezes que sou inacessível à emoção — não é curioso? E que não gosto, sou incapaz de gostar, de ninguém. Imagine-se (…). Mas, se é assim, a explicação não será difícil. Quando a vida nos habitua a desprendermo-nos dela, a firmarmos o pé em nada, vive-se obviamente no provisório. E se o que mais amamos nos falha sempre ou disso nos ameaça, o recurso é amar-se como que um ‘ideal’ que nunca falha (…). Por mim e por sobre tudo, amo a vida, que é onde acontece o que há-de amar-se ou não. Mas o que põe em causa as relações individuais não é de prender muito. Por desencanto prévio, pois. E por prudência. Pelo que for. Assim, as surpresas não surpreendem. Ou quase.

(Vergílio Ferreira, Conta-corrente I)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

O que poderias ver?

#A imaginação, a capacidade de produzir imagens mentais de coisas que não estão imediatamente à frente dos olhos, é uma capacidade humana invulgar que, infelizmente, muitas vezes é desvalorizada, e quase atacada, no processo educativo.

Aliás, as frases:

— está atento!, tens a cabeça na lua!, etc.

são expressões repressivas que mostram como a escola está constantemente a dizer: não imagines, vê! Como se aquilo que é mostrado fosse sempre mais importante e relevante do que aquilo que é imaginado.

Uma escola paralela, quase utópica também, seria aquela em que os professores por vezes diriam: hoje não estás suficientemente na lua!, ou: não estejas tão atento, colado, ao que te estou a mostrar!

Ou, dizendo de uma forma não tão extrema, mais realista: a escola deveria dar a ver, dar a conhecer, apenas aquilo que potencie a imaginação. Vou mostrar-te algo que te permitirá mais tarde imaginares muitas outras coisas. Imagens que alimentem a imaginação e não que a diminuam. Substituir definições por imaginações — este podia ser um lema; contestável, claro, mas que permitiria, talvez, uma discussão e uma deslocação do espaço mental do ensino.

Gonçalo M. Tavares (aqui)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Esclarecimento


Quando estamos cansados
deitamos o corpo
e adormecemos
às vezes não
procuramos outra mão
outros olhos
que nos limpem a fadiga
e evitem o sono
que nos vem antigo
quando estamos cansados
podemos erguer o corpo
e acordar
e morrer acordados
sem cansaço


Mário-Henrique Leiria


domingo, 25 de outubro de 2015

À porta do Deutsche Bank

We all have credit,
Said the bankers.
A matter of faith.

Hans Magnus Enzenberge

À
porta do Deutsche Bank (ao lado de
Jean Valjean) um casal de namorados reúne-se
num abraço. Por instantes acreditam na
arte do recomeço
num país onde o ministro desista de
inaugurar as ruínas
dos seus sonhos. Longe nos rios da Europa
corre uma linfa comum
(como a fenda na parede hesitando ao avançar
corrigindo erro-a-erro o seu
próprio percurso). Enquanto os jovens se abraçam
o ágio passa-lhes ao lado -
suspendem-se os dias tristes neste país periférico
sem esperança nem remorsos onde
a Europa passa férias. À porta do Deutsche Bank
só tem crédito a ilusão
logo tudo acabará num depósito
de amor.


João Luís Barreto Guimarães, 'As ruas estão acesas' in "Mediterrâneo", livro de poemas inédito a lançar em janeiro pela Quetzal


 
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