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sábado, 11 de maio de 2013

esquece-me

esquece-me.

quero andar
ao sabor do meu instinto cultivado na desgraça.

o amor,
- deixa um travo, mas passa.
não tenhas pena.

do alto do meu aprumo
desafio a tua verve:

- para morrer,
qualquer lugar,
 qualquer corpo,
e qualquer boca  me serve.


António Botto

A História de Adèle H., de François Truffaut, 1975


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tem na maneira de olhar

Tem na maneira de olhar
Aquela dúbia certeza
De quem pretende fixar-se
Numa doce realidade...

E o seu vulto quando passa,
Parece deixar no espaço,
A graça de uma saudade!

Há no seu riso -
Uma nota
Que lembra um laivo de sombra
Nessa beleza tão séria
Onde tudo quanto é belo
Desgraçadamente existe.

Ah!, meus amigos, a vida!...

- Falei de amor, fiquei triste.

António Botto - "As canções"

de Nina Leen

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