terça-feira, 4 de outubro de 2011

Província I

Amo esta rua antiga de província,
quieta, silenciosa.
Casas de rés-do-chão e andar
dão-lhe uma linha sinuosa
como de um bêbado a vaguear
a desoras...

Um velho relógio
deu agora horas,
horas cansadas, horas de há muito tempo:
são um lamento de eras passadas
em que a velha era menina
e desfiava
a teia azul das horas descuidadas

Que é das meninas desse tempo
nas varandas debruçadas?

Saul Dias, Obra Poética


Les coiffeuses au soleil, Robert Doisneau

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