terça-feira, 6 de setembro de 2011

Epígrafe para a arte de furtar

Roubam-me Deus
outros o Diabo
- quem cantarei?

roubam-me a Pátria;
e a Humanidade
outros ma roubam
- quem cantarei?

sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
todos me roubam
- quem cantarei?

roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
- aqui d' el rei!


03-06-1952
Jorge de Sena, Poesia II, Ed. 70, 1998


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