terça-feira, 26 de julho de 2011

La princesse insensible

Uma evocação da minha infância e do encantamento que sentia ao ver esta animação.
Quem quiser ver o seguimento da história até ao seu episódio final, poderá fazê-lo aqui, neste castelo.


de Michel Ocelot, 1983.

domingo, 24 de julho de 2011

Realidade vs Fantasia

"A infância vive a realidade da única forma honesta, que é tomando-a como uma fantasia."

Agustina Bessa-Luís






Ben Daniels em Who Killed Mrs. De Ropp, de Sam Hobkinson, 2007

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Que seca!

Mais uma tarde da minha vida desperdiçada a vigiar exames nacionais.
Só me apetecia fazer isto:




Sim, eu sei... os professores são todos uns malandros, não querem é trabalhar, blá, blá, blá, blá...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Demissão

Hoje
pela primeira vez
envelheci.
Hoje
pela primeira vez senti
que já não era a primeira vez.
Hoje
pela primeira vez
a criança morreu-me nos braços
e a canção na garganta.
Hoje
pela primeira vez ambicionei
estabilidade e fixação de planta.
Hoje
pela primeira vez
criei laços com a minha estátua.


Rita Olivais


por Louise Dahl-Wolfe

domingo, 17 de julho de 2011

"Leave the heart that now I bear"

Riches I hold in light esteem
And Love I laugh to scorn
And lust of Fame was but a dream
That vanished with the morn-

And if I pray, the only prayer
That moves my lips for me
Is-“Leave the heart that now I bear
And give me liberty.”

Yes, as my swift days near their goal
‘Tis all that I implore
Through life and death, a chainless soul
With courage to endure!


Emily Bronte



Les soeurs Brontë, de André Téchiné, 1979

Of Love and Friendship

Love is like the wild rose-briar,
Friendship like the holly-tree—
The holly is dark when the rose-briar blooms
But which will bloom most constantly?

The wild-rose briar is sweet in the spring,
Its summer blossoms scent the air;
Yet wait till winter comes again
And who will call the wild-briar fair?

Then scorn the silly rose-wreath now
And deck thee with the holly’s sheen,
That when December blights thy brow
He may still leave thy garland green.


Emily Bronte



Les soeurs Brontë, de André Téchiné, 1979

quinta-feira, 14 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

À beira de água #2

A todos os que se encontram à beira de água... à escuta do silêncio...


terça-feira, 12 de julho de 2011

À beira de água

Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

Eugénio de Andrade, in Os Sulcos da Sede


Robert Fowler, Dreaming















domingo, 10 de julho de 2011

Poema dum Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só

Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só.

António Ramos Rosa in Viagem Através de Uma Nebulosa

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cão

Cão passageiro, cão estrito,
cão rasteiro cor de luva amarela,
apara-lápis, fraldiqueiro,
cão liquefeito, cão estafado,
cão de gravata pendente,
cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
cão ululante, cão coruscante,
cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão além, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esbugar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal da poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção, cão pré-fabricado,
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão botija,
cão de olhos que afligem,
cão-problema...

Sai depressa, ó cão, deste poema!

Alexandre O'Neill in Poesias Completas


Peder Severin Kroyer (1851-1909), "Summer Evening at Skagen"

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